Um retrato do campo. Foi assim que Elias D'angelo Borges, secretário de assalariados rurais da CONTAG, abriu o diálogo temático sobre as relações de trabalho no campo, estratificando em números os homens e as mulheres, demonstrando quantos são assalariados rurais, negros ou brancos, faixa etária, estão na informalidade ou não. Isso para provocar o debate sobre o papel do sindicato na relação com o trabalhador. Inclusive, justifica Elias, “o debate pode contribuir para que a gente consolide o processo de dissociação”.
Cerca de 30 pessoas ouviram atentamente o presidente da CONTAR, Antônio Lucas, sobre a necessidade de combater a informalidade, “porque só a contribuição garante a aposentadoria, diferente da situação dos segurados especiais”, e ainda a continuidade do debate sobre a reforma agrária para que esses trabalhadores tenham acesso à terra.
Entrando na conversa, Maria, 63, alagoana e aposentada disse que, além de as mulheres serem minoria no campo, os estatutos dos recém-criados sindicatos de assalariados rurais não têm a reserva de 30% - sobre o assunto, D'Angelo argumentou que há pouco tempo a própria CONTAG não tinha essa garantia e que as mulheres assalariadas rurais são 20% num universo de 100%.
Da zona da mata pernambucana, Rejane conta que não se sentia representada pelo sindicato dos trabalhadores rurais, “me sentia esquecida”. E defende a presença constante do dirigente na base. Ela lamenta que faltem políticas públicas para os assalariados para acesso à habitação, por exemplo. Já a carioca Elícia disse que, em função do pequeno número de assalariados em alguns municípios, há vontade de criar sindicatos regionais.
Do Rio Grande do Sul, Lérida Pavanelo, coordenadora de mulheres da FETAG-RS, fez um relato da dissociação de oito sindicatos de trabalhadores rurais para a fundação da Fetar e assegura que muitas entidades continuarão ecléticas e que a nova federação deve ter a grandeza de representar esses trabalhadores. “O movimento sindical tem uma dívida com os assalariados rurais, não por falta de diretores na CONTAG ou nas federações. Isso é histórico”, conclui.
FONTE: Assessoria de Comunicação da 2ª Plenária da 3ª Idade e Idosos(as) - Izabel Rachelle