Criciúma não é só indústria, comércio e serviços. Também é agricultura, que produz dados interessantes para a economia. Essa foi a mensagem mais forte do evento sobre agricultura familiar no município, realizado na tarde de ontem pelas Associações de Desenvolvimento das Microbacias de Criciúma, Cooperativa Familiar Nosso Fruto, Secretaria de Desenvolvimento Regional e Epagri.
Segundo dados apresentados, Criciúma possui 671 famílias agricultoras, número que seria superior a alguns municípios da região, que tradicionalmente são considerados rurais. "O nível da agricultura em Criciúma é tão ou mais importante que em outros municípios considerados mais agrícolas", afirma Darlan Marchesi, engenheiro agrônomo da Epagri de Criciúma.
Residem em áreas rurais cerca de 10% dos cerca de 200 mil habitantes de Criciúma, o que corresponde a pouco mais de quatro mil famílias. Das 671 famílias agricultoras, 340 têm no trabalho com a terra a única forma de renda. Os 12 mil hectares da área rural do município são destinados, na maioria, a plantações, que ocupam mais de 3,7 mil hectares. Às pastagens, são destinados 2,8 mil hectares.
Lavouras de milho ocupam a maior área
Entre as lavouras, a de milho se destaca no município como a que ocupa a maior área: 1,7 mil hectares, com uma produção anual de 150 mil sacas. O feijão é a segunda em área plantada, ocupando 900 hectares, que produzem anualmente 16 mil sacas. A banana também se destaca no município, ocupando 800 hectares com uma produção de aproximadamente 8,5 mil toneladas por ano. Segundo Marchesi, a agricultura do município se diferencia da praticada em vários locais pela diversidade de produtos. Tanto que além de milho, feijão e banana, os agricultores familiares produzem em Criciúma mandioca, fumo, arroz, batata, hortaliças, criam bovinos e praticam atividades como panificação, produção de cachaça, avicultura, paisagismo e floricultura, a fim de agregar valor aos seus produtos.
E essa gama de atividades contribuiu, conforme dados da Amrec do ano de 2005, com mais de R$ 19 milhões no movimento financeiro do município. Segundo o engenheiro agrônomo, os dados só puderam ser coletados devido a um aumento da legalização na atividade rural. Um trabalho com os produtores para informar sobre a importância de trabalhar na legalidade vem sendo desenvolvido no município há alguns anos, e tem demonstrado bons resultados: o crescimento de notas utilizadas pelos agricultores do município aumentou mais de 50% entre 2004 e 2005.
Produtores reivindicam secretaria específica
Durante o encontro, os representantes dos agricultores do município solicitaram a criação de uma secretaria específica para cuidar da agricultura do município, para que os assuntos agrícolas não sejam mais tratados pela mesma secretaria que cuida do meio ambiente. "O sonho dos agricultores é ter uma secretaria exclusiva para a agricultura, e assim, a atividade ter uma fatia do orçamento municipal para ter mais investimento no setor", afirma Vergínio Ghedin, presidente da Associação de Desenvolvimento da Microbacia do Rio Linha Anta. Segundo o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Amilton Guidi, com o projeto para criar uma Fundação Municipal de Meio Ambiente e Agricultura, a idéia seria transferir mais recursos também para a agricultura. No entanto, não há possibilidade legal, segundo ele, da fundação repassar recursos também para a agricultura. Os recursos para o setor nesse ano ainda estão sendo discutidos. FONTE: A Tribuna ? SC