
A Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG) manifesta suas preocupações com os impactos causados pela guerra no oriente médio, onde vidas inocentes que estão sendo ceifadas por interesses outros, e famílias estão pagando um alto preço por algo que não cometeram, a exemplo do ataque a uma escola de meninas iranianas, que causou a morte de 168 crianças.
E também ressalta os impactos econômicos e sociais decorrentes da escalada da guerra no Oriente Médio, envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã, bem como sua crescente ampliação para outros países da região. O agravamento das tensões geopolíticas, somado ao bloqueio do Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde transita parcela significativa do petróleo mundial e de insumos utilizados na produção agrícola — amplia as incertezas nos mercados internacionais, pressiona os preços da energia, dos fertilizantes e de outros insumos essenciais à produção de alimentos, com repercussões diretas sobre as economias nacionais.
Fertilizantes potássicos, nitrogenados e fosfatados, além do óleo diesel amplamente utilizado nas atividades produtivas e logísticas da agricultura brasileira já sofrem elevação de preços com a instabilidade geopolítica. O aumento do custo de produção impacta diretamente a agricultura familiar — responsável por grande parte dos alimentos que chegam diariamente à mesa da população brasileira — e tende a pressionar os preços dos alimentos, contribuindo para aumentar a inflação, afetando tanto agricultores quanto consumidores, com reflexos negativos sobre a economia e sobre as contas públicas.
A CONTAG reconhece e valoriza as iniciativas adotadas pelo governo brasileiro no sentido de conter a elevação dos preços dos combustíveis, especialmente do óleo diesel, medida importante para mitigar parte dos impactos imediatos sobre os custos de produção e transporte. Entretanto, diante da magnitude dos desafios colocados pelo atual cenário internacional, tais medidas ainda são insuficientes para responder às necessidades da agricultura familiar. Cadeias produtivas estratégicas como o leite, o arroz, a cebola e o cacau já enfrentam dificuldades de comercialização, com preços de mercado que, em muitos casos, não cobrem os custos de produção, situação que tende a se agravar com a elevação dos insumos e da energia.
Diante desse cenário, a CONTAG defende a abertura imediata de diálogo entre o governo federal e as organizações representativas da agricultura familiar para avaliar os impactos da crise internacional e construir medidas capazes de proteger a produção de alimentos no país. Entre as alternativas que precisam ser consideradas estão a revisão das condições de renegociação das dívidas dos agricultores familiares, o fortalecimento e ajustes nas políticas de preços mínimos e a ampliação das políticas de compras institucionais no próximo Plano Safra da Agricultura Familiar.
A agricultura familiar é um pilar estratégico da soberania e da segurança alimentar e nutricional do Brasil. Em um contexto de crescente instabilidade internacional, torna-se ainda mais urgente fortalecer as políticas públicas que asseguram condições de produção, preservação do meio ambiente e da biodiversidade, renda e permanência das famílias no campo. A CONTAG reafirma seu compromisso histórico com a defesa da agricultura familiar e espera do Estado brasileiro medidas firmes e tempestivas para proteger quem produz alimentos e garantir o abastecimento alimentar da sociedade.
Diretoria da CONTAG.